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Relacionamento homoafetivo de namorado teria motivado morte de universitária em Extrema, MG

Corpo de jovem desaparecida em Extrema é encontrado
Lucas nega relação amorosa com patrão e diz não ter envolvimento no assassinato (Foto: Reprodução/Facebook)

O desaparecimento da estudante universitária Larissa Gonçalves de Souza, de 21 anos, em Extrema, no Sul de Minas, teve um desfecho trágico, com a localização do corpo, apuração parcial da autoria e motivação do crime. De acordo com o os primeiros depoimentos colhidos pelo Valdemar Lídio Gomes Pinto, que preside o inquérito, uma relação homoafetiva que o  namorado de Larissa mantinha com o patrão do casal teria motivado o assassinato da estudante. Ela havia lido uma mensagem trocada entre os dois e, desde então, vinha questionando o namorado sobre o episódio e exigindo mais atenção da parte dele.
O corpo de Larissa foi localizado na manhã desta terça-feira (3), no bairro Ponte Alta, em meio ao mato localizado às margens da estrada, em avançado estado de putrefação. Vista pela última vez com vida no dia 23 de outubro, a estudante tinha seguido com o carro de seu pai até o pátio do terminal rodoviário de Extrema para embarcar no ônibus escolar que a levaria à Universidade São Francisco, em Bragança Paulista, onde estudava biomedicina.
A suspeita de que Larissa tivesse sido vítima de um sequestro chegou a ser considerada, mas a Polícia Civil passou a seguir outra linha investigativa, após descobrir a existência de um relacionamento amoroso entre o modelo Lucas Rodrigo Gamero, namorado da estudante, e o patrão dela, o agenciador José Roberto dos Santos Freire. Lucas também era funcionário de uma loja de propriedade de José Roberto.

Passo a passo

Os dois suspeitos passaram a ser monitorados pela equipe de policiais civis, possibilitando ao delegado Valdemar Ilídio esclarecer parte da trama. Segundo o policial, após ser preso temporariamente nesta terça-feira (3), José Roberto acabou confessando o envolvimento no desaparecimento e morte de Larissa e apontando ainda Lucas como idealizador do crime.
Com prisão preventiva decretada pela Justiça, Lucas foi ouvido hoje e negou a participação no crime. Ele diz também que não mantinha qualquer relacionamento homoafetivo com Jorge e que não sabia da intenção do agenciador de assassinar Larissa. O delegado adianta que somente após outras diligências poderá ser confirmada a participação ou não do modelo.
Na sua versão sobre o crime, o agenciador de modelos disse que manteve contato com um garoto de programa, identificado apenas como “Sandro”, de São Paulo, para chegar até outro homem, chamado “Henrique”, que aceitou agir como executor de Larissa.
Decidido a colocar o plano criminoso em prática, José Roberto comprou um chip de celular e chegou a falar por quatro vezes com “Henrique”, combinando os detalhes da morte da estudante universitária. A polícia acredita que o chip e o celular foram descartados posteriormente pelo agenciador, que pretendia eliminar qualquer vestígio de sua ligação com a morte de Larissa.
À Polícia, José Roberto confessou que foi buscar “Henrique” em São Paulo, no mesmo dia 23 de outubro em que a estudante desapareceu. O homem contratado como pistoleiro, por sua vez, apareceu acompanhado de uma mulher. Os três, então, seguiram diretamente para o terminal rodoviário de Extrema, onde renderam Larissa.
Ainda de acordo com a confissão, a estudante foi levada para a casa de José Roberto, onde o casal a matou, colocou o corpo no porta-malas do carro do agenciador e descartou o cadáver às margens da estrada, no bairro Ponte Alta. O veículo do pai de Larissa, por sua vez, foi abandonado na Rua Benedito Zingari, no bairro Jardim Monte Alegre, também em Extrema. O casal recebeu R$ 1.000,00 pelo “serviço” e foi levado de carro por José Roberto de volta a São Paulo, até as proximidades da rodoviária de Bragança Paulista.

Desconfiança e desculpas

A descoberta de uma mensagem enviada por José Roberto a Lucas, indicando a existência do relacionamento homoafetivo dos dois, teria sido a sentença de morte de Larissa. O agenciador conta que, desde então, ela passou a questionar o namorado Lucas sobre o caso. Lucas acabou conseguindo superar as desconfianças da estudante, mas o fato de passar a trabalhar na loja de José Roberto trouxe as dúvidas de Larissa à tona novamente.
As desculpas e argumentos do modelo passaram a não ser aceitos por Larissa, que vinha exigindo mais atenção e dedicação de tempo por parte dele. Segundo José Roberto, a resistência de Lucas em romper o namoro com a estudante e assumir a relação homossexual perante a sociedade fez com que a morte de Larissa se apresentasse como a única saída para o problema. As primeiras informações sobre o crime fizeram com que moradores de Extrema saqueassem a loja de José Roberto, após saberem de seu envolvimento no homicídio.
Um terceiro suspeito, também com prisão preventiva decretada pela Justiça, será investigado pela Polícia Civil. O delegado ainda está à procura do executor “Henrique” e da mulher que agiu com ela no assassinato da estudante universitária. “Desde o desaparecimento da estudante nossa equipe não parou um dia sequer, nem aos finais de semana e no feriado. Fizemos todos os levantamentos e não vamos parar enquanto o caso não ficar totalmente esclarecido”, afirmou Valdemar Lídio.
Devido ao avançado estado de putrefação em que foi encontrado, o corpo de Larissa somente foi reconhecido pela mãe da estudante, ainda no local onde os criminosos o abandonaram, a partir das roupas, sapatos e brincos que ela usava no momento em que desapareceu. As unhas das mãos, pintadas de azul brilhante, também ajudaram a eliminar as dúvidas iniciais. A causa da morte será confirmada somente por meio do laudo de necropsia.
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